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Lendas, fatos e curiosidades sobre meus chás prediletos!

 

BiLuoChun

        BiLuoChun é um chá verde muito famoso na China, originalmente cultivado na região montanhosa de Dong Ting, perto do lago Tai Hu na província Jiang Su.

          Este  chá é  conhecido  pela sua  aparência  delicada, sabor frutado e um incrível aroma floral.

        O seu nome significa literalmente “caracol verde da primavera”, e é chamado assim porque é um chá verde enrolado em forma de uma espiral bem apertada, assemelhando-se a um caracol.

       Originalmente, seu nome era XiaShaRenXiang, que significa “fragrância assustadora”.

             A  lenda  que dá  origem  a esse  nome  é por conta de um “catador” de chá que, em uma excelente colheita, encheu todo seu cesto de colhida e havendo mais folhas para colher, começou a pôr o excesso em sua túnica. O chá, aquecido pelo calor do seu corpo, emitiu um forte aroma que surpreendeu a todos, originando o nome “fragrância assustadora”.

 

 

          De acordo com uma crônica da dinastia Qing, o “governador” de JiangSu,  em uma visita ao lago TaiHu,  presenteou o Imperador KangXi com este chá. O Imperador, ao analisar e já percebendo a pureza e a qualidade do tal chá, perguntou qual era o nome e o anfitrião respondeu: “fragrância assustadora”. O imperador, com desdém, respondeu que tal nome era um insulto e vulgar para um tesouro. O imperador declarou que outro nome seria mais adequado e deu ao chá o nome de BiLuoChun, pois percebeu que, quando enrolado, parecia uma concha de caracol.

 

      As árvores deste chá crescem nas proximidades (e entre) de pessegueiros, damasqueiros, ameixeiras e, às vezes, nespereiras. Quando essas árvores florescem, os brotos e as folhas mais novas absorvem os aromas, resultando nesse que é um dos mais famosos e raros chás da China. A evaporação da água do lago, nessa região montanhosa, mantém um excedente de nuvens e névoa, mantendo as folhas jovens e os brotos frequentemente úmidos.

            O BiLuoChun é  olhido durante a primavera até abril, quando as chuvas primaveris começam. Apenas uma folha e um broto são arrancados. É tão delicado e suave, que um quilograma deste chá tem entre 14.000 e 15.000 brotos/folhas. A colheita é feita totalmente a mão, sendo necessária uma grande habilidade para “rolar” e retirar as folhas.

        As folhas do BiLuoChun  são pequenas e saem em forma de espiral. A bebida é clara e dourada e, ao se desdobrar, suas folhas produzem um característico aroma delicado. A “luz dourada”, ao ser sorvida, começa com uma adstringência fresca e desenvolve-se em uma doçura bem arredondada, com uma persistência suave e ligeiramente amanteigada. Um chá único, superior. Há muito nele a se descobrir e apreciar.

 

Tie Guan Yin

            Bem no  coração do município de Anxi, na  província de Fujian, havia um templo dedicado a GuanYin, a Bodhisattva da Compaixão, onde havia uma estátua dessa deusa, feita de ferro. Todos os dias, no trajeto para seu campo do chá, um pobre fazendeiro chamado Wei, ao passar pelo templo, refletia sobre a piora da condição da construção e pensava: “algo precisa ser feito”.

           Por ser pobre, Wei não tinha  os meios para reparar o templo. Um dia, ele levou uma vassoura e um incenso de sua casa. Limpou e varreu o templo e acendeu o incenso como oferenda a Guan Yin. “É o mínimo que posso fazer”, pensou consigo mesmo. E ele fez isso durante vários meses.

          Uma  noite, Guan Yin  apareceu-lhe  em  sonho, falando  sobre  uma caverna atrás do templo, onde haveria um tesouro lhe esperando, e que ele deveria “recebê-lo e compartilhar com os outros”.

          Na caverna, o fazendeiro encontrou uma pequenina muda de chá. Ele plantou em seu campo e cuidou dela. A pequenina muda se transformou em um arbusto grande de chá. Ele deu “cortes” desta planta rara a todos os seus vizinhos e começou a vender sob o nome de TieGuanYin (KuanYin de ferro).       

  

          Ao longo do tempo, Wei e todos os vizinhos prosperaram! O templo da Guan Yin foi reparado e tornou-se um importante local para a região. O Sr. Wei continuou sua caminhada para seus campos de chá, nunca deixando de parar no templo para agradecer a Guan Yin pelo tesouro e alegria.

         

        O chá Tie Guan Yin (às vezes escrito “Tie Kuan Yin”), além da denominação do chá, do tipo oolong, também é o nome de uma espécie de arbusto da Camellia Sinensis, que é ideal para fazer esse tipo de chá.

          Cultivada na região de Anxi, na província de Fujian (China), o Tie Guan Yin é o chá oolong mais famoso do mundo. Ele é enrolado uniformemente e tem sua oxidação por volta dos 40%. A arte de fazer o Tie Guan Yin é bastante complexa, sobretudo nos processos finais.

 

Monkey Picked

 

          Há um  chá  chamado  “Monkey Picked”,  que  é,  na verdade,  um  típico   Tie KuanYin  (oolong).  Esse   nome (Monkey-picked)  foi  usado   apenas   por   uma pequena parte da região de Anxi, na província de Fujian.

A origem  da versão  desse  oolong remonta  ao  início  do século XVIII. Diz a lenda que os macacos foram treinados por monges para colher as folhas  mais seletas  de árvores de    chá   selvagens    que    crescem    nas    encostas   das  Montanhas Wuyi,  da  Província  de  Fujian  e,  de  acordo com   o   mito,   este  chá   colhido   por   um   macaco   foi apresentado como tributo ao   Imperador Qian Long   em 1741  e,  durante  muitos  anos,  foi apreciado  exclusiva -mente pela Corte Imperial. 

          Em 1793,  o escritor  Aeneaus Anderson,  na companhia do embaixador  britânico Earl George Macartney, viajou  para a  China  durante o  reinado de  Qian Long. Lorde Macartney f oi  a pedido da família real,  a fim de obter informações sobre como o chá era cultivado, processado e preparado, bem como para garantir concessões comerciais para a   Companhia das Índias Orientais.   De acordo com o  historiador John C. Evans, a história do chá “Monkey Picked” é bem diferente da lenda dos monges.

 

          Anderson  e  outros  convidados   europeus foram   para   a  China,   onde   somente  lhes  foi apresentado  o  que  os  chineses  desejavam.  As plantações   de   chá   espalhavam-se  por  vastas áreas,   mas  a  colheita,   o  processamento e até mesmo  o  transporte  do  chá  eram  proposital- mente  mantidos  fora de vista. Entretanto, certa vez,   um  chinês  ofereceu-se   espontaneamente para explicar como o chá era colhido. Ele disse a Anderson:   “Os produtores   de  chá   irritam  os macacos  que  vivem  nos  galhos  dos  chás.  Por vingança, os macacos arrancam  galhos e jogam--nos no chão. Os colhedores de chá só precisam pegá-los”.

          Anderson  admitiu  com   sinceridade  que não havia testemunhado a colheita  de macacos, apesar de aceitar a história como  um fato. Toda a Europa leu o seu livro e a lenda  da colheita de chá por  macacos  encontrou  o  caminho para o Ocidente. Esta história tinha um apelo e fascínio particular para os vitorianos, sem dúvida devido ao furor  levantado  pela  teoria  da  evolução  de Darwin.

 

          Eu, em particular,   prefiro os mitos às histórias, 

pois,  em minha opinião, 

o  mito   parte  de   uma   mentira  e  vislumbra  uma  verdade, enquanto  a   história  parte  de  uma  verdade 

e  não  raramente  chega a uma mentira.

 

BaiHao Yinzhen

          BaiHao YinZhen, também conhecido como Silver Needle, é um chá branco muito procurado, feito na província de Fujian, no norte da China, e colhido apenas por alguns dias no início de cada primavera. Ostenta jovens botões tenros recém-colhidos logo antes da abertura total da folha. Este Chá é caracterizado por sua aparência única de “agulha” coberta por pequenos pelos brancos / prateados.

 

        YinZhen é, indiscutivelmente, o melhor dos chás brancos. Tem um gosto mais pronunciado, embora também delicado, como outros chás brancos. Possui um aroma saboroso, adocicado, corpo rico e delicado. Seu sabor é fresco e delicioso, com notas amanteigadas e de nozes. 

 

       A lenda descrita a seguir sobre esse chá é muito difusa, além de possuir diversas versões (alterações). Às vezes, ela é também  atribuída a outros chás.

            A  lenda   diz   que,   há   muito  tempo,   as   pessoas  que  viviam  na

região de Zhenghe (政和), na província de Fujian, estavam passando por um período de seca que ameaçava a vida dos aldeões. Comenta-se que, nas proximidades das colinas da montanha próxima de Zhenghe, crescia uma erva celestial que curava todos os tipos de males. Por causa de doenças que se alastravam na região, muitos homens corajosos subiram a montanha em busca dessa erva, mas nunca retornaram.

 

          Foi agora a vez da única irmã que restara. Depois de sair, ela encontrou o mesmo ancião, mas, desta vez, além do conselho que havia dado aos irmãos, ele ofereceu a ela um bolo de arroz assado para desfrutar durante sua jornada. Quando ela chegou ao mesmo lugar com as mesmas vozes estranhas alertando-a para retornar, usou o bolo de arroz para cobrir as orelhas e continuou a seguir em frente. Ela finalmente chegou ao topo da colina e encontrou a erva celestial que crescia ao lado de um poço. A moça usou a água do reservatório para irrigar as plantas, que começaram a crescer e revelar flores. Ela recolheu as sementes e levou-as consigo. Então, cultivou as plantas celestiais na aldeia para usá-las nas curas das doenças. 

 

            Como   se   vê,    a erva   celestial   é,    na verdade, a planta do chá que hoje é usada para colher os finos cobertos com pelos brancos conhecidos como o chá branco Silver Needle.

 

LongJing

          O nome de Longjing era bem conhecido durante o final da Dinastia Qing. Diz-se que, durante esta dinastia, o Imperador Qing-Long (neto do Imperador Kangxi) visitou o templo na montanha do Pico do Leão e recebeu uma xícara de chá de Longjing. O imperador ficou tão impressionado com a tal bebida produzido naquele lugar, que conferiu aos dezoito arbustos de chá que havia no local, um status imperial especial. Essas árvores ainda estão vivas e o chá que elas produzem é leiloado anualmente por um preço mais alto, por grama, do que ouro.

 

          Por ficar encantado com o chá, ele foi observar as moças que o colhiam. Ficou tão maravilhado com seus movimentos, que decidiu tentar por si mesmo. Enquanto colhia as folhas de chá, recebeu uma mensagem dizendo que sua mãe, a Imperatriz, estava doente e pediu seu retorno a Beijing. Ele empurrou as folhas que tinha escolhido em sua manga e no mesmo instante partiu para Beijing. Após seu retorno, ele foi imediatamente visitar sua mãe. Ela notou o cheiro das folhas saindo de suas mangas e ele, sem pestanejar, preparou o chá para ela, que, após tomá-lo, ficou curada.    Dizem que a forma do Longjing Tea foi projetada para imitar a aparência das folhas achatadas (retiradas da manga) que o imperador preparou para sua mãe.

          Longjing, que literalmente se traduz como "dragão bem", teria sido batizado, primeiramente, com o nome de um poço, pois durante uma seca severa, um monge convocou um dragão para trazer chuva e prover água para a aldeia. O poço, que existe até hoje, alimentou a campina da plantação de chá, por isso, ao chá, também foi dado o nome de Dragon Well.

 

Em breve ...